por Keissy Carvelli
Se tem algo que me deprime é esse tempo de chuva. Acho que é a coisa mais deprimente que existe em tudo o que há no mundo. Basta as gotas de chuva fria baterem na minha janela, e aquele cheiro de terra molhada perambular pela casa, que começo mesmo a me sentir assim, deprimida pra burro, numa solidão astronômica que me chega a enfraquecer a pele.
Não sei se a minha solidão é um estado permanente, ou se ela é uma invenção do meu subconsciente para tornar tudo mais melancólico, porém, com os trovões e o céu escuro e carregado, ela se expressa pra valer.
Existem ainda aquelas músicas típicas para o momento. É simples: existem discos para o verão, para os finais de tarde ensolarados, para os finais de semana, para as madrugadas, e aidna existem esses tipos de discos para dias assim, de chuva e solidão.
A gente pensa que não, mas faz muito sentido. Ninguém ouve samba em dias como esse. Se eu colocasse algo do Seu Jorge para ouvir eu poderia me contorcer inteira de tanta contradição. É como colocar REM num sábado a tarde de muito sol e calor. Soa ridículo.
O mais deprimente de tudo isso é que todo o mundo, nesses dias, assiste milhares de filmes com o respectivo namorado, ou namorada, caso seja. Todos se entopem de chocolate, pipoca, cenas clichês, beijos e toda aquela melação. E eu queria mesmo fazer parte desse "todo mundo" que fica ainda mais idiota por fazer esse tipo de coisa. Eu queria ser idiota nos dias de frio e chuva,com namorado, e chocolate, e filmes, e clichês, e não uma idiota com umas palavras escritas à mão.
Tá, que eu não fosse essa idiota com todas essas coisas, mas que ao menos eu pudesse sentir de fato as vontades que tenho, e que pudesse dizer que gosto mesmo, e que, apesar de parecer besta o suficiente, é verdade o bastante para ser dito.
Não, nada pode ser dito, nem ao menos sentido de fato. Eu sempre me meto em enrascadas mesmo. Acho que gosto mesmo daquilo que não posso ter e deve haver alguma explicação freudiana para isso, ou de qualquer outro maluco desses que estuda essas nossas maluquices pra tentar achar alguma explicação.
Não consigo sequer deixar que alguém goste de mim primeiro e isso é sério. Parece que sempre tenho que convencer a tal pessoa em questão a gostar de mim. Isso é um bocado deprimente. Eu deveria mesmo é não gostar de mais ninguém, a vida inteira.
Eu deveria me tornar uma daquelas cretinas filhas-da-puta que não gostam, nem amam e só conquistam por ai algumas pessoas para a satisfação física. E pronto. Eu deveria mesmo deixar de ser essa estúpida que lê um livro e começa a escrever bem parecido com a personagem.
Mas, o que eu estava falando mesmo é do quanto eu me sinto sozinha nesses dias de chuva e frio. E acho que vou me sentir assim pra sempre, pro resto da vida. Sou bem capaz de me trancar num quarto num dia de chuva mesmo com alguém me esperando na sala. Ou não. Nunca teve ninguém me esperando na sala.
sexta-feira, outubro 26, 2007
R.E.M
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quinta-feira, outubro 25, 2007
Dobradura
por Keissy Carvelli
Isso é o tipo de coisa que precisa ter muita disposição mesmo pra fazer, ainda mais um tipo como eu, desprovida de toda e qualquer paciência. Um troço desse precisa ser feito por um objetivo maior, uma força que você tira sabe-se lá da onde, caso contrário na primeira dobra você desiste.
Primeiro tem que cortar o papel certinho, e aí já começa a coisa chata. Eu sempre erro a medida, ou corto torto, ou algo parecido. É a falta de paciência misturada com a falta de cuidado mesmo; o fato é que pra mim quase tudo sempre está bom, não ligo muito pra perfeição.
Depois de obter um papel exatamente quadrado você começa a seguir os passos da demonstração, e pra piorar a coisa ainda está escrita em inglês. As imagens salvavam um pouco, mas não pude deixar de recorrer ao dicionário. Por isso digo que esse troço tem q ser feito com disposição.
Desisti por horas, e retomei o ritimo lá pelas tantas da madrugada. A cabeça estava quase fundindo, aquilo estava me aporrinhando o saco, eu juro! Mas, eu já podia imaginar a satisfação de dizer: eu fiz, e ainda imaginar o sorriso do lado de lá achando tudo muito engraçado. Afinal, quem é que no mundo inteiro faria algo do tipo só pra arrancar um sorriso?!
Estava tendo 3 filhos japoneses, mas tentava controlar o nervoso, e por vezes quase amassei tudo e fui dormir. Porém, valia a pena.
Duas horas depois eu vi aquela coisa toda tomando forma, e tomava a forma certa, como descrita na demonstração. Puxa, aquilo era mesmo orgasmico.
O troço tinha mesmo que ser feito com muita vontade, e vontades em mim é o que não faltavam. E depois dessas duas horas, alguns quilos de paciência e neurônios queimados eu posso dizer que tenho mesmo um Caracol. Não aquele do outro lado, cheio de expressões bonitinhas pra caramba, de sentimentalismos e irreverências. Mas eu tinha um Caracol, e isso já era um bom começo!
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sexta-feira, outubro 19, 2007
Distorção
por Keissy Carvelli
4:12 da manhã, o silêncio ensurdece meus ouvidos e os olhos queimam de sono. Eu deveria mesmo já estar sonhando com qualquer besteira por ai, pronta pra acordar mais cedo amanhã e estudar: os meses seguintes prometem uns vestibulares filhos-da-puta!
Levei meu pai para pegar um ônibus rumo a São Paulo, coisas da Prefeitura onde ele trabalha. Gostaria de ir junto, mas eu ficaria por lá. Sempre existe algo/alguém que me faz querer sair daqui, e isso me soa um tanto quanto "novelesco".
Na volta resolvi apertar o botão do rádio, gosto mesmo das músicas que tocam madrugada à fora, são sempre antigas e de um tom melancólico mesmo que tenha guitarras e distorções. Dito e feito: uma música do Bon Jovi que eu adoro, e que, por coincidência talvez, eu lembrei ainda essa tarde.
Tirei as mãos do volante e vim cantando- ou tentando- já que não sei muito da letra. Senti-me como num filme de Hollywood, onde, na última cena, a mocinha pega seu conversível, coloca um rock ´n´ roll e se arrisca pela estrada, sem rumo algum. Não estava num conversível, e tinha um rumo bem certo: a minha casa, entretanto o rock ´n´roll fez-se presente!
Mandei uma ou duas mensagens. Ainda me sentia sozinha.
Quis gritar, afinal, eu estava mesmo sozinha. Poderia fazer qualquer coisa que eu quisesse: sair com o carro, encher a cara, fumar no meu quarto, andar nua, trazer quem eu quisesse pra casa, pular na cama, ou simplesmente cair no lençol verde cheio das minhas vontades.
Em todos os casos, vou dormir, porque amanhã é um dia qualquer, exatamente como os outros!E a propósito, não fumo mais diariamente!
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sábado, outubro 13, 2007
Sob efeito
(por Keissy Carvelli)
Por quantas vezes mais terei que dizer: saia daí?
Por quantas vezes mais terei que reforçar a idéia de que tudo isso não é pra você. É tão pouco perto da sua sensível forma de enxergar os fatos e as complicações dessas vãs filosofias.
Meus braços forçariam sua retirada disso tudo; meus olhos provocariam seu riso sem qualquer esforço; e o esboço do sonho tornar-se-ia um desenho das mãos juntas, dos sorrisos e dos nossos extremos equilibrados numa só insanidade.
Já não sei como sair daqui, e numa verdade esclarecida: não quero sair de lugar algum.
Os meus sonhos sempre são certeiros, cheios dos seus detalhes e daquilo que vou sentir, não existem erros. Para que fugir, então?
Eu sei, menina! Nada há de ser feito agora. Você tem seus medos, seus amores e suas esperanças. Eu...ah, eu! Eu não tenho nada. Absolutamente NADA! E de nada me envergonho.
Não sofro mais, não choro mais, não amo mais. Do que posso ter medo?! De amar?! Ah, falsa hipocrisia. Eu amo essa coisa toda de conquistar, apaixonar, amar e sofrer. É quase um ciclo vicioso, no duro.
Por que eu, justamente eu, teria medo de algo assim?! Apaixonar-me por você?! Ah, tão fácil, tão irreversível, tão inconseqüente, tão inevitável.
Idealizar? Isso se torna típico neste meu mundo cheio de suas fantasias e alegorias...Ver-te sempre rindo, e com suas expressões singulares..ah! Isso não! Eu não criei, foi visto antes mesmo da imaginação tomar lugar do meu sono.
Confesso, no duro, que já não devo evitar. Aí está a prova, mais uma vez, de que caí nesse miserável truque do coração idiota que se apaixona por quem não deve.
O álcool toma conta dos meus dedos, das letras, e das poesias que eu tento reproduzir em forma culta e intelectualizada. Um belo truque.
Quem precisa de poesia quando se fala de paixão? Ela sempre soará brega, por melhores que sejam as palavras e metáforas escolhidas.
Eu sempre serei brega e clichê. Já me acostumei, e, no duro, não me importo a mínima.
Não tento mais esconder, isso soaria ainda mais ridículo, e mesmo que eu goste de assim soar, não ficaria convencional.
Mentir pra mim mesmo?! Ah, por Deus!!!! Quanta estupidez!
A minha paciência é farta, assim como a minha vontade que me atormenta toda maldita noite de insônia programada.
A minha paciência não te espera, mas te quer! A minha impaciência não diz todas as verdades, mas também não esconde todas as mentiras. A minha paciência é um infinito particular depositado em baixo do travesseiro ao qual me entrego agora!
.escrito sob o efeito do alcool e das vontades.
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quinta-feira, setembro 20, 2007
Blues em Gaita
por Keissy Carvelli
Ela gosta dela, que não gosta o suficiente dela como deveria gostar.
Ela derruba suas lágrimas salgadas dia e noite no lençol colorido, enquanto ela dorme sem sonhar.
Ela faz de toda ação um carinho, de toda letra poesia, de todo sorriso uma ternura; ela é inteiramente dela, que não sabem como lidar.
Ela não liga e tenta esquecer, enquanto ela liga para não perder.
Ela sabe tanto e de tanto se faz pequena; ela é imaginação numa nota de blues em gaita; ela é inteira numa simplicidade só, e dela não se espera sequer o melhor.
Ela se joga em algo insólito, mas não ouve. Ouça, ouça! Saia daí. Ela sabe, mas ela é assim mesmo, ela vai em frente com ou sem medo de se deixar machucar.
Ela gosta dela, que não gosta o suficiente dela como deveria gostar, enquanto eu....ah, eu poderia amar!
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sábado, setembro 15, 2007
Monótonos monólogos desses marasmos
por Keissy Carvelli
O que ouço são silêncios dessas vozes que nem são minhas
São os passos grotescos dessa gente que olha, mas finge que não vê.
O que eu procuro não são mais minhas expectativas ilusórias de outrora; aquilo que me mantém não é mais o psicológico machadiano daqueles livros que nem li.
A teoria dos meus dias é o seu próprio paradoxo, ouça bem, é isso mesmo que eu digo!! Não suporto mais esse vai e vem de verdades, essas mentiras caladas na boca e gritantes nos olhos.
Diga-me o que lhe parece ser certo que farei o contrário! Diga-me seus medos de hoje, que lhe contarei os de amanhã! Diga-me somente o necessário, para evitar sua própria contradição!
Ah, essa gente que me atormenta...deixarão ao menos uma vez que eu seja minha própria sombra? Deixarão vocês, ao menos por um instante, que eu use minhas palavras sem receio?
Ah, essa gente e suas certezas...poderia eu continuar com minhas pequenas e vitais dúvidas?!
Eu, que por muito tempo acreditei na compreensão, no sentido mais cético das infâmias!
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domingo, setembro 02, 2007
Busca
Em busca de algo novo.
Em busca de vida nova.
Em busca de um novo amor.
Em busca de um novo eu.
Em busca de um futuro.
Em busca de uma nova forma.
Querendo sair dessa emboscada.
Querendo sair de mim.
Querendo sair de você.
Querendo seguir em frente.
Querendo te deixar pra trás.
Querendo me deixar pra trás.
Querendo deixar tudo pra trás.
Querendo respirar.
Querendo sair.
Querendosair.
Qusarendirro.
Sairquedoren.
Saquerendoir.
sair.
querendo.
ir.
Enfim....
[Lindo poema enviado por Valéria Costa]
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sexta-feira, agosto 31, 2007
Pensando bem...
por Keissy Carvelli
Penso, após um lapso de análise, que para a pessoa certa não existe hora, nem minuto, tampouco segundo errado.
.Hoje eu poderia ter me apaixonado, ou talvez tenha sido um começo...enfim.
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quarta-feira, agosto 29, 2007
Mp3
por Keissy Carvelli
"Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha historia que alguem jah escreveu
E é por essas e outras que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez"
[Com Robertos Carlos a letra soa brega, na voz da Ana Carolinta se torna auto-explicativa.]
.e nem sei se é realmente assim.
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sábado, agosto 25, 2007
Onomatopéias reversas
por Keissy Carvelli
O sol acabava de nascer e o mundo já girava, as pessoas corriam sem chegar a lugar algum; os passos acelerados imprimiam a necessidade do tempo, da falta de calmaria. Os rostos tão diferentes não se encaravam, as sombras não se trombavam, e por um instante senti alívio em estar bem ali, no meio de tantos desconhecidos. Ninguém se importava com meu passado, ninguém estava interessado nos meus sonhos, nas minhas dores, na minha genealogia. Ninguém se resumindo a todo o mundo que por ali passava.
Eu vestia minhas calças jeans, meu tênis verde e já poderia desenhar em mente as ações compassadas e estereotipadas do “sobe-desce” nas escadas, do entra e sai do metrô. Quanta gente! Quanta gente!
Olha ali, quanto medo! Quantas frases perdidas nesta multidão, nesta confusão! Quanto barulho! Não ouço as folhas das árvores batendo contra o vento! Não há tantas árvores assim! Olha ali, gente caída no chão, crianças contando moedas e migalhas! Olha ali! E eu estou aqui, andando de estação em estação, ouvindo o silêncio entre as pessoas, as sirenes gritantes dos carros que se movimentam sem cessar. Estou aqui criando coragem para partir, destruindo minhas próprias barreias, saltando de vez em vez para não cair na rotina.
Estou inerte observando os novos rostos que acabo de conhecer, agora são reais, falam, gesticulam, brincam. Possuem digitais, traços, ironias; cantarolam brincadeiras e sabem bem sobre meu lado oposto.
Estou novamente entre a multidão e tudo se perde mais uma vez, os ouvidos nada escutam, os pés estão cansados, mas a vista é bonita. As luzes acendem, mas ainda há gente no chão. Ainda há experiência de pés sujos e cicatrizes nas mãos, Ainda existem tantos cantos que nem ao menos imagino. Ainda há tanto de mim perambulando por entre os vãos.
O céu se envolve nos vários tons de escuro, misturando-se entre cores e luas, e é assim que eu gosto. Deixo meus olhos percorrerem pelo vidro, atingindo em cheio os pensamentos do lado de fora, e entre uma estrela e outra vou distraindo as unhas roídas com minhas conversas interiores.
A cidade passa por todas as vigas deste mesmo vidro ficando para trás com suas confusões e imensidões; os prédios altos me dizem adeus e vão arranhando o céu, assim como minhas retinas sonolentas. Vai ficando tudo para trás...não sei se me levo, ou se me deixo assim...vai ficando tudo para trás.
Nostálgica, vou sonhando até que a mente pare de trabalhar, relembro dos últimos instantes e já sinto falta. Sinto mesmo falta de quem conheci, das calçadas, do ar quase poluído, mas tão cheio de liberdade. Vou sentindo saudade nos quilômetros seguintes, e mais saudade, mais saudade, mais....
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quarta-feira, agosto 22, 2007
É, bem por aí
por Keissy Carvelli
"Dream about the days to come
When I won't have to leave alone
About the times that I won't have to say ...
Oh, kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go"
[Janis Joplin, e já é auto-explicativo]
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domingo, agosto 19, 2007
Fecundação
por Keissy Carvelli
Minha fé em mim
Desolada fixação insólita
Particípio passado em presente
Como lembranças restritas a um livro
Quem sabe um perfume, algo mais
Minha fé em mim
Tão vazia e destemida
Fugindo querendo encontrar
Dançando só em salão público
Vagando em ponta-pé
Gritando em silêncio minhas ironias sarcásticas
Minha fé em mim
Assolada de suas quimeras
Rindo em falso o que verdade lhe parece
Mantendo à distância o perigo
O pecado dessas suas esperas
Falhas, conectivas entre emoção e emoção
Minha fé em mim
Unhas em pranto
Sem derrubar sequer uma gota de sal
Evasões paralisadas
Inebriadas em álcool e solidão
Sufocadas entre as gentes
Entre a conturbada confusão
Minha fé em mim
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sexta-feira, agosto 17, 2007
Nacionalmente importado
por Keissy Carvelli
O fim de semana é regado em restaurantes caros, comida requintada, e muita diversão entre notas e mais notas daquele dinheiro tão exuberante e esbanjador que escorre pelos dedos sem nem ao menos doer ao final do mês.
As críticas são expostas após um bom noticiário de cada dia exaltando a falta de iniciativa desta prole, que se contenta com tão pouco e se esconde atrás dos subsídios cedidos pelo governo tão estúpido e assistencialista.
Da boca derramam wisky importado, misturando-se com palavras rebuscadas de um inglês perfeito e de um português tão importado quanto a bebida destilada. O sofá das sessões de terapia ouvem seus problemas pessoais, tão cheios de eufemismos e excentricidades. Ah, essa nossa elite.
Do outro lado da mesa a fome grita seu nome em misericórdia; a carne é comprada aos finais de semana, e distribuída em migalhas, primeiro para as crianças e mulheres. A diversão é a calamidade proclamada em rede nacional, e suas reclamações são abafadas por uma nova perspectiva de compra acessível, de ajuda bem vinda e necessária...ah, aquele “dinheirinho” mirrado a mais na conta propicia um sorvete ao mês, uma meia nova, um sorriso no rosto e uma esperança na pele fraca, sem proteína e iogurte natural.
A boca, sem voz, aplaude pela primeira vez uma atitude ao seu favor, e engole o choro ao ouvir que sua vida miserável o torna um vagabundo mal acostumado com o governo. Não existe psicóloga, suas dores são curadas no balanço do ônibus lotado às seis da manhã, e suas excentricidades?Ah, essas são privilégios para raros.
Ah, nosso povo....típicos brasileiros nacionais, destinados a correr contra o tempo,contra a fome, contra eles mesmos, porque ser pobre nas terras tupiniquins já é, de princípios étnicos, uma ofensa, e apoiar programas sociais é absurdo.
Acorde, povo! Vocês devem ser manipulados, e apoiar o tão popular protesto “Cansei”, afinal, o que é que anda acontecendo por aqui? Pobre recebendo uma miséria a mais, tendo bolsa-família, bolsa-escola; qual é o problema dessa gente? Vocês não percebem que andam crescendo muito, e ganhando dinheiro o suficiente para não morrerem de fome?!
.sou tão irônica quanto preciso.
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segunda-feira, agosto 06, 2007
Chama
por Keissy Carvelli
Menina, teus olhos turvos
Me chamam de amigo
Teus braços distantes
Se apegam num abrigo
E a voz fraca chama, chama
E o som ecoa, o tom se acanha
E o seu amor livre voa
Menina, seus medos infantis
Me mantém do outro lado
Seus métodos infalíveis
Precisam ser mudados
Não sou eu que vou fugir
Não sou a lança que machuca
Nem a lágrima que mistura
A tua dor ao teu jeito de sorrir
Menina, venha e creia
No teu peito afobado
Na sua respiração escassa
No nosso amor inacabado
Menina, creia e pule
Tão alto quanto puder
Para dentro de um mundo
Cheio desses seus traços de mulher
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sábado, agosto 04, 2007
Uma parte do que falta
por Keissy Carvelli
Penso que todo sentimento deveria trazer consigo um botão On/Off para ser usado nessas ocasiões.
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quinta-feira, agosto 02, 2007
Antes das seis
por Keissy Carvelli
Todo mundo tem medo de se machucar, logo se afastam daqueles cujo sentimento parece ser incontrolável.
Eu não!
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terça-feira, julho 31, 2007
A credibilidade do palhaço
por Keissy Carvelli
"Se você tivesse acreditado nas minhas brincadeiras de dizer verdades, teria ouvido muitas verdades que insisto em dizer brincando... Falei, muitas vezes, como um palhaço, mas nunca desacreditei da seriedade da plateia que sorria."
[Charles Chaplin] - o eu lírico poderia muito bem ser eu!
.a credibilidade do palhaço está sempre em risco.
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Entre sonhos
por Keissy Carvelli
Não perco o tempo contando os minutos
Não perco a vida contando as dores
Não perco essas dores contando os amores
[só algo que criei quando estava quase dormindo]
.agora sim tudo começa a ficar melhor.
.e eu amo a minha psicóloga =D.
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domingo, julho 29, 2007
Ponto e vírgula
Por Keissy Carvelli
Acordei ainda com o sono pesando sobre os olhos, tendo no estômago aquela ansiedade própria dos últimos dias, onde não durmo, não como, e apenas espero o tempo passar. No celular uma mensagem anunciava a conversa que estaria por vir, e naquela ressaca nada mais poderia ser pior.
Sem muito para dizer apenas ouvi, com todas as nostalgias apostas e dispostas a passar; com meus dedos trêmulos calculando cada letra a ser escrita, cada gesto, cada pedaço. As lágrimas, guardadas no travesseiro daquela insônia, não desabaram; a pele mórbida não se desfez; o quarto escuro não tomou a luz, e sim, faltava algo ali.
Foi então que disse num tom calmo, naquelas linhas claras, num quase suspiro: “É de VOCÊ que eu gosto de verdade, e nossa história não acabou”. Mantive os olhos fixos, e amaldiçoei essas milhas que me separam da “nossa história”. Amaldiçoei todas as condições físicas contrárias ao procedimento natural da relação. Amaldiçoei essa maldita distância.
A hora então, é de desafiar o destino, confiar nos propósitos do tempo, e deixar os minutos tomarem seus rumos concretos, para que assim a história, que hoje tem cinco capítulos escritos, finalmente entre em seu clímax, com seus personagens principais, e não com essa figuração aleatória que por vezes teima em aparecer.
A hora então, ainda não é nossa, mas tudo está guardado, bem guardado nas cartas escritas, nos sentidos, nas feições, nas conquistas. Tudo está bem guardado num lugar seguro, onde nada pode atrapalhar; e ambos sabemos que a vida segue enquanto os olhos não se cruzarem, entretanto, “quando os seus olhos me encontrarem na esquina do seu apartamento irão saber”, assim como nós, que definitivamente NOSSA HISTÓRIA NÃO TERMINOU!
.pronto, pela última vez está dito!E entenda muito bem, você que finge não saber da situação.
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sábado, julho 28, 2007
Vogais e Consoantes Ao Vento
por Gleice Couto
Quando penso que o seu rosto se esvaeceu,
Eis que o vejo mais nítido, como sempre foi.
Na verdade, ele sempre esteve alí.
Quando penso que dei um passo à frente,
Eis que percebo que voltei ao ponto de partida,
Provavelmente o lugar de onde nunca saí.
E, nessas linhas mal escritas,
O que sinto se transforma em palavras,
As palavras se disfarçam de verdades,
Tornam-se gastas,
Apagadas com o tempo,
Esquecidas –
Apenas combinações de vogais e consoantes ao vento.
Tudo faz parte do que não devo ser,
É o que não posso ter,
Ou supostamente ler.
Quem dirá escrever!
Rimas que não faço para harmonizar,
Apenas expressar o que aqui está.
Está onde?
Coração?
Mente?
Horizonte!
Olha! Outra rima!
Dessa vez calculada,
Mas nem por isso culpada.
Simetria inexata de uma sensatez absolvida
Ou definição exata de uma imaginação incriminada?
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