por Gleice Couto
Olhos não acostumados a ver
Lacrimejam diante da luz que cega
Acesso a nova realidade tardia
Desfocada, invertida
De costas para a porta,
Encaro a parede branca
Não enxergo além
Apenas imperfeições não planas.
* Inspirado no MARAVILHOSO texto de Stephen Kanitz, "Observar e Pensar". Para lê-lo, clique aqui. Vale muito a pena. ;o)
terça-feira, fevereiro 27, 2007
De Costas
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segunda-feira, fevereiro 26, 2007
...eu vou te sonhar comigo.
...eu vou te sonhar comigo.
Por Keissy Carvelli
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5:42 PM
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segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Liberdade Parcial
por Gleice Couto
Distância
Longe dos olhos a solidez se esvai
Meus dedos deslizam acariciando sonhos que corrompi
O meu baú já não está mais completo
Apenas descoberto
Sem manto
Sem amparo
Perdido em algum cômodo da casa
Vazia
Abandonada
Em vãos de uma realidade leviana
E lama
Escorregando no caminho que sempre usei
Na estrada não-definida
A liberdade parcial de toda uma vida
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9:26 PM
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sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Chegou a Turma do Funil
por Keissy Carvelli
O sol já nasce com um ar diferente, a "turma do funil" se reune, escolhe o melhor humor, busca a mais intensa alegria dentre tantos motivos para chorar, e deixa o som da bateria lavar a alma.
O samba no pé descarrega os pessimismo e desafetos, a velha marchinha traduz um sorriso de porta bandeira atento a todos os seus movimentos, em que o som vale mais que a ação, a ação mais que o coração, e a folia...bem, a folia é a esperança tecida em pequenas notas de um instrumento de sopro qualquer.
Não importa como é a "cabeleira do zezé", muito menos se "ele é", a "maria sapatão" pode ser Maria ou João, de dia ou a noite; você pode pensar que "cachaça é água", se ela vem do alambique ou do mineirão, tanto faz; a pipa do vovô pode até não subir mais, nada importa em cinco dias onde o brasileiro é mais nacional, onde o estrangeiro é mais nacional, onde o Rio é mais colorido, onde São Paulo não é um buraco negro, onde a Bahia é sua própria identidade, onde eu sou mais eu.
Onde o "Tudo" é tocado em tambores de percussão, em ritmo frenéticos, em solos coletivos de um país inteiro entregue a nossa maior paixão.
E eu?! bem, eu só paro na quarta-feira, onde os pecados são absolvidos, e todas as fantasias são guardadas dentro do ármario.
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12:41 PM
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quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Hora de Mudar
por Gleice Couto
Hora de mudar,
Fechar um livro,
Abrir outro.
Páginas em branco,
Em pouco tempo com palavras.
Minha caligrafia disforme me impede ver o que está a minha frente.
Diante de mim, a apenas alguns centímetros.
Sentimentos invadidos,
Palavras longes, mal apagadas.
Enquanto isso, ainda tento decifrar o que acontece.
Bobagem.
As mudanças são um início sem fim.
E eu apenas comecei a minha agora.
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3:22 PM
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sábado, fevereiro 10, 2007
Glorioso Reinado
Por Gleice Couto
Não posso fitar os seus olhos
Não posso tocar os seus pés
Não ainda...
Então, desligo o interruptor
Sinto sua luz
Vermelha...
Verde...
Violeta...
Branco... O meu pranto
Sem lágrimas
O aroma doce
Ao longe, todas as flores
Alegria infinita
Súbita...
Úmida...
Mas não muda...
O louvor dos servos
No Glorioso Reinado
Em novos céus
Em nova terra
A nossa espera...
Desconhecida
Pela vida eterna
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quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Feixe de Luz
Chão de barro...
E o que era apenas uma tarde

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12:20 AM
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terça-feira, fevereiro 06, 2007
Era uma vez uma garotinha...
Era uma vez uma garotinha.
Ela vivia em um mundo não conhecido por quase ninguém. Um lugar a parte, distante, lindo, mas somente seu, e de alguns poucos que podiam desfrutar de tudo o que havia ali com ela. O mundo era repleto de fantasia, onde a realidade era cinza e tinha cheiro de ferrugem.
Ela morava em um castelo. Lá moravam muitas pessoas... Dentre eles, o Rei e a Rainha do reino da garotinha. Ela era a princesa. O castelo era enorme, com muitos quartos e portas. As portas podiam levá-la onde quer que quisesse, mas por algum motivo desconhecido, a garotinha nunca as tinha aberto.
Ela sempre teve tudo o que quis, sempre conseguia absolutamente tudo. Bastava um estalar de dedos. A garotinha tinha coisas, amigos, carinho... Tudo mesmo. Nem o mais importante lhe faltava: amor. Amor dentro de si. Amor pelos outros.
Havia, entretanto, um problema: ela não sabia demonstrá-lo. Achava que era fraqueza mostrar o quanto se importava com os outros. E ela não queria parecer fraca. Não mesmo. Princesas não podem ser fracas.
Por muito tempo, reinos vizinhos, que ela nem sabia que existiam, a condenavam por seu comportamento. Chamavam-na de fria. “Que princesa sem sentimentos!” – alguns diziam. “Nunca vai conseguir ser uma rainha de verdade!” – outros bradavam.
A garotinha não se importava muito com esses comentários. Sabia que as pessoas que diziam isso, na verdade, não a conheciam. Ela sabia que não era assim. Ela amava todos, somente não o dizia.
Um dia, porém, uma senhora idosa, corcunda e com trajes negros, chegou ao seu reino. Ela nunca a tinha visto por ali. Isso a assustou um pouco. A senhora chegou sorrateiramente e sem que ninguém percebesse, levou algumas pessoas com ela. Uma delas era o Rei.
Foi tudo tão rápido que a garotinha não teve tempo de perceber que esquecera de dizer algo importante ao Rei.
Ela não disse que o amava.
Ela não teve a oportunidade de lhe dar um beijo de despedida. E agora, não poderia mais fazê-lo. O Rei tinha ido embora, nunca mais tornaria a vê-lo.
O Rei sabia que ela o amava, mas não o tinha escutado. A garotinha sabia que o amava, mas não o tinha dito.
Então, a princesa percebeu que, na verdade, ela nunca teve tudo. Faltava-lhe algo essencial: humildade.
Porque é preciso humildade para confessar que há alguém mais importante que você em sua vida.
A princesa aprendeu sua primeira lição e nunca mais deixou de dizer ‘eu te amo’ para aqueles com quem ela realmente se importa.
Atualmente, a garotinha não é tão garotinha assim, mas ainda é uma princesa. E tem certeza que, com essa lição, vai se tornar uma grande Rainha.
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10:55 PM
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sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Trajeto
por Keissy Carvelli
O último suspiro soa agora como a mais amarga derrota, penetrando cada pedaço do meu corpo sem pedir espaço.Instala-se num triste olhar que lanço para o espelho refletindo minha vaga imagem, onde o TUDO resume-se num dia só.
Apego-me a crença da inexistência do acaso para não enlouquecer, forço gestos aleatórios intimidando a escuridão de alguns pensamentos, que na contramão, seguem atropelando os otimistas de plantão.
Sujo o rosto, e não nego, a esperança exaltava alegrias ilusórias, e fisionomias conhecidas; o resto é então o que me resta, as noites são as minas das minhas idéias sem qualquer fundamento, e o frio é a ausência do calor latente.
O papel implora por linhas escritas, por desapegos e desabafos, mas nem uma palavra é dita, o final da cena está errado e fica atravessado na minha garganta como um desfecho mal elaborado.
Sou cúmplice e crítica de meus próprios erros, meu destino é incerto como um samba enredo longe, onde todos começam junto sem saber a hora certa de parar. Metáfora.
Péssima escolha a minha, tentar descontar tudo numa frase vazia, péssima escolha a minha escolher e acabar não sendo escolhida!
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11:35 PM
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quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Trechos de mim
por Keissy Carvelli
A chuva cai dizendo a hora exata de dormir, mas o sono é pesadelo e insiste em fugir de mim. Se deito, sonho com minhas esperas, meus medos, e desejos; acordo sem saber se foi real ou não, coloco os pés no chão frio me certificando da fútil inexistência da verdade.
A consciência trabalha a favor de meus devaneios, e jé não suporto essa louca espera pelo dia seguinte, pela vida nova, pelo beijo perfeito, pela pessoa certa, pela música ímpar, pelo banho sutil, pela alma lavada.
Distorço fatos e vivo de alucinações desmembrando cada pequeno espaço numa estação completa de realidades vivas e vividas, das quais nem sei se me encaixo. Não discuto, nem escuto, não converso.
É cada segundo preso numa interminável solidão tão sólida e tátil, uma saudade do que não tive, uma infeliz felicidade dissolvida entre dias, e horas e suspiros. A minha ausência, minha essência, e todos meus sentidos perdidos por aí, em algum beco fechado, escuro, fedendo a mofo ou coisa parecida.
São as sombras de toda uma história berrando ao pé do meu ouvido frases mórbidas sem qualquer positivismo, são os monstros na minha estante fazendo pose de passado, querendo reviver num presente para me assombrar novamente num futuro. Chega.
Tiro os objetos pontiagudos de perto, as fotografias, as lembranças e memórias desnecessárias, escondo em algum lugar distante até eu descobrir a forma correta de lidar com tudo isso.
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segunda-feira, janeiro 29, 2007
Na Minha Curta Maneira (Parte 5) Ou A Natureza E As Esporas

Adaptação de Marcos Paulo
Segundo Charles Darwin, somos seres em constante evolução, pois aprendemos com os nossos erros e só os mais fortes e espertos sobrevivem. Eu confesso que tenho nadado contra a maré, não consigo evoluir e deixar de acreditar nas pessoas, mesmo sabendo que posso ser usado, manipulado, ferido e segundo Darwin, extinto. Não faz muito tempo e perdi um grande amor para a vida. Motivos: imaturidade em resolver as diferenças de forma sensata, insensatez, pressa, falta de carinho e a grande capacidade humana de querer que o outro viva de acordo com o seu ponto de vista. Fiz a promessa de jamais confiar em outra pessoa novamente. Tolinho!!! Não adiantou nada, acabei quebrando essa promessa novamente. E, a cada vez que isso acontece, tenho medo de querbrar essa promessa.
Tenho hoje alguns amigos dos quais confio plenamente e pelos quais, tenho muito estima. A
verdade é uma só, não sei quanto a vocês, mas não sei viver sem amigos. Aconteceu como se fosse ontem: partiram meu coração, ainda procuro os pedaços, mas sei que não deixarei de amar da forma a qual eu amei. É a minha natureza: amar é se entregar totalmente à
pessoa amada. Eu sei, preciso evoluir. Preciso criar máscaras, barreiras e defesas para não me machucar novamente. Preciso manipular, usar, mentir e manter o jogo, se quiser ser feliz no amor. O problema é que quando eu amo, eu arrisco mesmo, mas jogo pra vencer. Tudo bem, você agora pode jogar na minha cara que fui abandonado pelo meu amor, e ai? Te digo: Podemos ter tudo o que queremos, mas, tudo o que for pra gente mesmo. Amar é dar a cara às tapas, mostrar suas verdadeiras cores, admirar e cuidar bem de quem está ao seu lado, ter carinho, ser incondicional, mesmo que seja por uma semana, um dia. Amizade é compartilhar, se abrir, falar um monte de besteira e até chorar, mas acima de tudo confiar. Tanto no amor quanto na amizade, não dá para estar ao lado de alguém só pela metade. Não adianta "To have and not to hold". Precisamos estar plenamente com as pessoas que gostamos. Se elas não agem assim conosco, o problema é delas, não nosso.
Não podemos mudar quem somos, por causa da atitude e opinião dos outros. Osho, um sábio indiano, que era muito louco e iluminado ao mesmo tempo, costumava dizer : “Esteja Pleno. Quando conversar com os seus amigos, seja a própria conversa. Quando beijar quem vocês amam, seja o próprio beijo." É, o cara sabia mesmo! Sim, estar plenamente com alguém deveria ser obrigatório, mesmo que isso não seja suficiente. Sim, eu sei! Precisamos estar bem treinados para montar nesse cavalo selvagem chamado amor, nesse touro indomável chamado amizade, mas como não nasci mesmo para ser boiadeiro, nem cavaleiro; continuo tentando olhar no olho desses bichos e me comunicar, mostrar que eles não precisam temer. Apesar da dor cavalgar junto com o prazer, montar nesses animais não tem nada a ver com poder e sim com respeito. Por isso e talvez por pura teimosia, não uso esporas, chicotes ou laços e mesmo que eu caia de novo, não vou mudar, vou me levantar e recomeçar tudo de novo.
Reiventar-se, ainda que tenha usado isso.
Ousar sonhar, mesmo que para isso não se pague nada.
Manter-me na minha curta maneira.
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quarta-feira, janeiro 24, 2007
Na Minha Curta Maneira (Parte 4) Ou Depressão

Por Marcos Paulo
Você me chamou ontem, basicamente para dizer que você tem um carinho por mim. Mas que não está mais na paixão.
Imediatamente, eu fingi sentir a mesma coisa, mas não consegui. E deixei você acreditar que estava tudo bem. Tento entender, como você pode fugir de uma coisa que é sagrada e tão especial para mim, e que achava que era pra gente também.
Bom, eu acho que estou tentando ser Indiferente sobre isso. E eu irei ao extremo. Para provar que eu vou ficar bem sem você. Mas na realidade, devagarzinho eu estou perdendo minha cabeça. Debaixo de um falso sorriso, aos poucos estou morrendo por dentro.
Amigos me perguntam como me sinto. E eu minto convincentemente, porque eu não quero revelar o fato de eu estar sofrendo.
Então, eu visto meu disfarce. Até eu ir para casa a noite. Parece que o caminho devolta do trabalho é mais distante. Ao chegar, desligo as luzes do meu quarto, e daí eu desabo e choro.
Mas agora me diga: Então, o que você faz quando alguém que você se dedica derepente deixa de te amar?
E parece que eles não percebem o que te causa a dor da rejeição. Como se você fosse um copo descartável. E que está te colocando ao fim.
Você se abraça à sua oração?
E canta " Eu sobreviverei"?
Você esbraveja e diz: "Como ousa deixar este caminho"?
Você se segura no orgulho para a depressão ir embora?
Ai te pergunto: Pra quê se dedicar a quem você ama?
Pra quê ser fiel, leal, respeitoso e bom?
Pra quê dedicar as horas livres?
Pra quê aguardar uma ligação o dia inteiro?
Pra quê esperar pelo fim de semana?
Pra quê fazer planos?
Pra quê brigar por amor?
Pra quê o pra quê?
Subitamente pra depois você ouvir um "acabou"!
Eu me seguro no orgulho para a depressão ir embora.
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Poesia Urbana
por Gleice Couto
Incessante movimento
Entra rua
Corta vilarejo
Asfalto quente
Idéias derretidas
Surgindo faíscas
Sem tempo de serem modeladas
E a cada esquina alguém pede algo
Compaixão em forma de esmola
Atenção em forma de moeda
Metal, vidro e concreto
Elementos não certos
Violentados por mãos e pés
Homens em busca de seu tesouro
Encarcerados nas grades de ferro
Talvez esquecidos
Apenas não lembrados
Fuga do inconsciente tardio
Poesia caótica
Sem versos fixos
Para quem lê, sem lógica
Para quem escreve, verdade dita
Entenda de olhos fechados
Ou a veja na avenida
No dia-a-dia perdido
Na pressa de se chegar
Mesmo sabendo que não há partida
Em cada calçada a ser percorrida
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segunda-feira, janeiro 22, 2007
Último Ato
Acho que não estou mais acostumada com o ranger da madeira por debaixo de meus pés. Mesmo caminhando devagar, o barulho de algo se partindo me incomoda ligeiramente. Não por ser um som desagradável, mas sim por vim transbordando de significados... Alguns eu quero esquecer, a grande maioria vivenciar. Meus passos ecoam pelo vazio que já esteve repleto. Repleto de sentidos... Risadas... Choros... Pessoas... Vazio que agora transpassa absolutamente nada. Nada.
Ainda não levanto o rosto. Meus olhos teimam em reparar nas fendas do chão. Elas não significam, eram apenas um pretexto para olhar para frente. Não veria o futuro, nem relembraria o passado. Seria só o agora que teria que encarar. O agora que há pouco foi ontem. Quero que seja como se fosse a primeira vez, tento resgatar a mesma sensação. O momento é outro, eu sei. Não importa.
Em todos os espaços entre um amanhecer e um anoitecer, o roteiro mudou constantemente. Passou pela comedia... Pelo romance... Pelo drama... Boa parte pela fantasia. Ilusão do ser... Do estar... Do sonhar...
A direção às vezes se perdia em meio a tantas variações. Cenários novos... Figurinos remendados... Iluminação inexistente... Era tudo uma questão de adaptação, logo sabia qual destino seguir.
Alguns personagens principais passaram a ser secundários, outros saíram de cena. Vários figurantes atuaram de modo exemplar, permanecendo no elenco até o final. Os antagonistas? Apenas me divertiram... Fizeram-me mais forte, elevaram a minha vontade de continuar o caminho.
Escuto um aplauso ao fundo...Tímido, mas presente. Somente então, meu foco muda. Observo o que estava diante de mim. A partir daquele instante, nem o eco... Nem o ranger da madeira... Nem o roteiro... Ou direção... Ou atores... me aborreciam. Tudo tinha sido válido. Apenas por causa de um aplauso. Um único reconhecimento.
Em agradecimento, faço uma reverencia.
Era o último ato do espetáculo da minha vida.
Cai o pano.
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sexta-feira, janeiro 19, 2007
Na Minha Curta Maneira (Parte 3) Ou Quatro
Por Marcos Paulo
Apenas quatro meses que é o tempo que estou com você. Quatro meses menos uma briga, dão três vezes mais apaixonado por você. Quatro meses vezes trinta dias dão cento e vinte dias em que só penso em você, mas com você mesmo, apenas um quarto disso.
Em oito semanss eu te disse que te amava, e faltando quatro semanas você me disse o mesmo.
Com quatro meses a gente sonha, eu, com quatro dias, ainda me indagava. Em quatro dias acertamos tudo e com mais quatro o nosso segundo beijo.
Quatro vezes foram as vezes em que fizemos amor, sendo que na quarta vez tudo foi mais completo. Se eu contar direito, não consigo ficar mais do que quatro dias sem te ver, que já contabiliza a metade dos dias em que não te vejo. Quatro mais dez são catorze, com mais catorze vinte e oito, que foi o máximo de dias que ficamos sem nos ver, para depois ficarmos catorze horas juntos.
Espero não ficar mais quatro meses e sim quatro vezes um século que dão quatro mil e oitocentos meses com você.
Obs.: Esses textos com o título "Na minha curta maneira" fazem parte do livro homônimo. Qualquer semelhança com fatos e nomes será pura verossimilhança.
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Abramos Os Olhos
Já faz um tempo que a idéia desse texto de hoje está na minha cabeça. Por muitas vezes o adiei, como se esperasse que a idéia tomasse forma, amadurecesse em minha mente. Só que agora, diante do ocorrido nesse último fim de semana, encontrei o momento propicio para ele.
Na verdade, o tema do texto surgiu quando passeando por Fotologs da vida, li em um deles, a pessoa se dizendo revoltada com a falta de segurança no Rio, pois um amigo dela tinha sido alvo de um assalto em seu carro, na Barra da Tijuca.
Não tiro o direito da pessoa estar indignada, mas isso ficou na minha cabeça, porque muitas vezes só percebemos que algo existe quando acontece conosco ou com alguém próximo. E quando isso acontece, tudo o que sabemos não passa de superficialidades.
Porque falar da criminalidade quando você mora de frente pra praia em um apartamento de 200m² é fácil, muito fácil. É mais fácil ainda, eu estar aqui escrevendo sobre violência quando tenho um ótimo PC, uma ótima casa e pago uma faculdade cara.
O difícil é você conviver com ela 24 horas por dia, 7 dias por semana, 12 meses por ano. E essa realidade não está muito longe de você, ou de mim ou de qualquer um. Basta abrir os olhos e ver que em toda esquina há uma comunidade, há uma favela.
Repare bem que você verá essas pessoas de quem falo, que diariamente lutam para conseguir o direito de apenas viver...Viver.
Abaixe o vidro fumê do seu carro importado quando passar por um lugar carente. Repare em cada pessoa que está ali, repare em suas roupas gastas pelo uso, em suas feições cansadas, em seus rostos com a expressão dura de quem a cada dia vive em uma guerra interna, em busca de um pouco de dignidade.
Compre um apartamento com vista para a favela e sempre que você for admirar a paisagem, perceba que há gente vivendo em casa de alvenaria, sem rede de esgotos, sem o mínimo de condições de higiene, que fazem sua necessidades fisiológicas em buracos feitos no chão, que dividem um cômodo com uma dúzia de pessoas.
Não vire o rosto para o lado oposto quando ver na rua alguém pedindo esmola. Olhe essa pessoa bem nos olhos e veja o seu próprio reflexo nela, pois ninguém está livre de um dia estar ali, ao seu lado, dividindo suas esmolas e sua ausência de esperança.
Não finja que as crianças que estão na rua não são de sua responsabilidade. Elas não estão ali porque querem, estão ali porque vivemos em uma sociedade de oportunidades desiguais, onde nem sempre aquele que se esforça e corre atrás, é o que vence, onde as dificuldades se fazem tão constantes que é impossível não acabar cedendo a falta de opção.
Como disse anteriormente, não sou muito diferente de quem está lendo esse texto ou de quem reclama por segurança pública quando mora em um condomínio fechado de um bairro nobre do Rio de Janeiro. Somos todos abastados e vivemos uma realidade, se é que se pode chamara assim, que só uma minoria tem acesso. Pensemos juntos, então, analisemos o que acontece ao nosso redor, apontemos saídas e opções alternativas para que de algum modo façamos a nossa parte.
Abramos os olhos. Aceitemos a realidade que está diante de nossos narizes, mas que por hipocrisia ou vergonha nos fazemos de cego e não a enxergamos.
E pensar que isso tudo poderia ser resolvido com educação. Somente isso: educação.
Educação na família. Educação na escola. Educação para uma toda vida.
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Tiro ao alvo
Mãos ao alto
Quem fala é quem manda
De palitó e colarinho branco
Quem passa do lado de fora
Não vê o país na corda bamba
Acorda e veja o tirano
Tirando de nós um pouco que resta da fé
Acorda e veja o fulano
Com nome sujo falando no planalto o que quer
Tira o sorriso do rosto
Esconde o bandeira
Coloca no peito um alvo
A prova de bala, bobo, e ladrão
Tira a mão do bolso
Vossa Excelência mesma põem
Tira o saldo, tira o leite, põem a corrupção
Não existe mistério, não existe segredo
É um tiro no peito da fraca pobre população
É o óculos quebrado no rosto do cego
É a hipocrisia da nossa nação
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Aquela
por Keissy Carvelli
Já fui palhaça de circo, hoje cansei, pendurei as botas no fundo do armário e as deixei lá, sem qualquer utilidade servindo apenas de lembrança para os momentos vazios de nostalgia.
Cheguei ao meu finalmente, sem um happy end,é claro, nada pode ser tão fácil assim.Não chorei, nem soltei um riso sarcástico, apenas fui irônica quando quis, e desliguei todos os seus sons quando precisei. E ainda preciso.
Preciso não ouvir sua voz, nem suas meias-mentiras, preciso me livrar de mim mesma enquanto é tempo, caso contrário será tarde de mais.
Rôo as unhas sem limite de parar, assisto filmes, toco qualquer cançãoo que já não lembro mais, conto os dias, os minutos, vivo os segundos.
Faço tantas brincadeiras infantis, tantos sopros sutis, tantas letras vagas que me surpreendo a cada passo, e passo o tempo assim.
Voltei a estaca zero, sem estar realmente zerada, vejo as flores sem imaginar as cores, e apenas espero aquela nova sensação de que tudo será pra sempre.Ou não, apenas aquela velha sensação de estar vivendo num filme hollywoodiano banal....apenas aquela.
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quinta-feira, janeiro 18, 2007
Na Minha Curta Maneira (Parte 2) Ou Tempo De Esperança
Por Marcos Paulo
Esperamos todos os dias.
Esperamos até para nascer.
Esperamos a vida inteira para morrer.
Esperamos para receber nossos ordenados.
Esperamos para nos alimentar e nutrir nosso organismo que espera pra que isso aconteça quando tivermos tempo.
Tempo.
Dizem que o tempo é o senhor da razão.
Que todas as coisas têm seu tempo.
Que no meu tempo era assim, e que no seu tempo já não é mais.
Que temos que dar tempo ao tempo.
Que quando não amamos mais e não temos coragem para dizer, pedimos para dar um tempo.
A esperança cabe no tempo.
O tempo já não harmoniza mais com a esperança.
Entre se harmonizar e esperar pelas coisas, persiste o medo em estarmos fazendo algo errado. Ou não.
Se é certo ou não somente o tempo vai dizer.
Muitas das vezes, a esperança se mistura com o tempo.
E em outras, eles parecem ser a mesma coisa.
Entre esperança, tempo, medo e anseio, dos quais todos pertencem à mesma classe, eis o que temos que é ter tempo e esperança para questionar:
Será que ainda há tempo para a esperança?
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Na Minha Curta Maneira (Parte 1)
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